sábado, 7 de fevereiro de 2026

Pedágio caro é problema antigo — e não se resolve com ilusão

Pedágio entre Rolândia e Arapongas expõe reação tardia do poder público
Por Maurão Messias
A polêmica envolvendo a instalação do pedágio no trecho da BR-369, entre Rolândia e Arapongas, escancarou mais uma vez um problema recorrente na política brasileira: a reação tardia do poder público diante de decisões que já estavam desenhadas há muito tempo.
O que chama a atenção não é apenas a insatisfação popular — legítima e compreensível —, mas o fato de que, somente depois da repercussão negativa e da pressão da população, surgiram manifestações de indignação por parte de deputados estaduais, federais, prefeitos e vereadores da região.
A pergunta que fica é simples e direta: ninguém sabia que isso estava previsto?
Os contratos de concessão não surgiram do nada. Eles passaram por debates, audiências, análises técnicas e, principalmente, por instâncias políticas. Se o modelo de pedágio, o sistema free flow ou a localização dos pórticos causariam tamanho impacto à população local, por que essas vozes não se levantaram antes?
É difícil convencer o cidadão de que o poder público foi “pego de surpresa”. O que se vê, na prática, é que a crítica só apareceu depois que a população abriu a boca, protestou, reclamou e demonstrou revolta. Antes disso, silêncio.
A sensação para quem mora, trabalha e circula diariamente entre Rolândia e Arapongas é de que a conta sempre sobra para o povo, enquanto muitos representantes só se posicionam quando o desgaste político já está instalado.
Existe um velho ditado popular que resume bem esse cenário: “Depois da onça morta, todo mundo quer tirar foto.” É exatamente essa imagem que fica quando autoridades aparecem apenas no momento da crise, tentando capitalizar politicamente uma indignação que não ajudaram a evitar.
Aqui fica também a minha indignação como cidadão e como alguém que acompanha a política de perto há muitos anos. Não é aceitável que decisões desse impacto passem despercebidas por quem foi eleito justamente para fiscalizar, questionar e defender a população. A sociedade não pode continuar pagando a conta da falta de atenção, da omissão ou da conveniência política. O povo falou — e só então muitos resolveram falar também. Isso precisa mudar.

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